
O primeiro turno da eleição presidencial de 2026 aconteceu ontem, domingo (4). O resultado surpreendeu boa parte do país, inclusive o próprio presidente candidato à reeleição. Vamos reconstruir como chegamos até aqui.
O contexto de partida
Jair Bolsonaro, condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado (processo que detalhamos na nossa linha do tempo sobre o 8 de janeiro), está preso e inelegível até 2030. Ainda assim, declarou apoio ao filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), como seu sucessor na disputa.
Do outro lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) buscava a reeleição, após derrotar Jair Bolsonaro no pleito de 2022.
Janeiro de 2026: Lula começa na frente
Pesquisas do início do ano mostravam um cenário favorável ao presidente. Um levantamento Genial/Quaest, divulgado em 14 de janeiro, colocava Lula com 35% das intenções de voto, contra 26% de Flávio Bolsonaro, com Ratinho Júnior em terceiro, com 9%.
Nas simulações de segundo turno feitas naquele momento, Lula venceria qualquer adversário testado.
Agosto de 2026: começa a campanha oficial
O período oficial de campanha teve início em 16 de agosto de 2026, com a formalização das candidaturas perante a Justiça Eleitoral.
4 de outubro de 2026: o primeiro turno
Eis o resultado final, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE):
- Flávio Bolsonaro (PL): 47,03% dos votos válidos (56.104.503 votos)
- Lula (PT): 45,16% dos votos válidos (53.879.538 votos)
- Augusto Cury (Avante): 2,89% (3.448.569 votos)
- Renan Santos (Missão): 2,24% (2.675.887 votos)
Nenhum candidato atingiu os 50% necessários para vencer em primeiro turno, então Flávio Bolsonaro e Lula disputarão o segundo turno em 25 de outubro de 2026.
Um resultado diferente do esperado
O resultado representou uma reviravolta em relação às pesquisas de boa parte do ano, que indicavam vantagem confortável de Lula. O próprio presidente afirmou, no domingo, que esperava vencer já no primeiro turno, e classificou o resultado como “inesperado”.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, declarou que o resultado representa o início do que chamou de resgate da democracia.
Um dado chamou atenção: a abstenção recorde
Do total de 158.745.502 eleitores aptos, 125.275.835 compareceram às urnas, uma abstenção de 21,08%. Em números absolutos, 33.469.244 pessoas não votaram, o maior número de ausências já registrado em uma eleição presidencial no país. Os votos em branco somaram 2.300.798 (1,84% do total).
O que vem agora
Entre 9 e 23 de outubro, acontece a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, já voltada ao segundo turno. A decisão final sobre quem vai governar o Brasil nos próximos quatro anos sai no dia 25 de outubro de 2026.
Este artigo será atualizado assim que houver o resultado do segundo turno.
Fatos Relevantes
- O primeiro turno de 2026 aconteceu em 4 de outubro, sem nenhum candidato atingir os 50% dos votos válidos necessários para vencer de imediato.
- Flávio Bolsonaro (PL) terminou em primeiro lugar, com 47,03%, à frente de Lula (PT), com 45,16%, uma reviravolta em relação às pesquisas do início do ano.
- A abstenção bateu recorde histórico, com mais de 33 milhões de eleitores ausentes.
- O segundo turno, decisivo entre Flávio Bolsonaro e Lula, ocorre em 25 de outubro de 2026.
Fontes consultadas para este artigo
- Tribunal Superior Eleitoral (TSE), totalização oficial do primeiro turno de 2026
- Carta Capital, “TSE encerra apuração do 1º turno”
- Genial/Quaest, pesquisa de intenção de voto de janeiro de 2026
- Wikipédia, verbete “Eleição presidencial no Brasil em 2026”